Uma informação, por favor
Quem me conhece, sabe que tenho um péssimo senso de direção e me perco muito facilmente. Demorei pelo menos uns seis meses para aprender o caminho entre a rodoviária de Barra do Piraí e a casa do Jeff, e confesso que até hoje ainda me perco no caminho entre o centro da minha cidade cidade e a rodoviária. E olha que moro numa cidade de 66 mil pessoas, com área urbana de aproximadamente 1.308 km². Quem mora em grandes centros pode afirmar que é capaz de decorar todas as ruas e bairros dessa cidade em menos de um mês e eu não consigo me localizar morando aqui há mais de 24 anos! XD Mas tudo bem, se eu me perco na minha cidade, imagina na cidade dos outros.
Então, estava eu com a minha malinha à tira-colo, fone de ouvido, caminhando alegremente no percurso da rodoviária até a casa do Jeff, quando pára um carro ao meu lado e o motorista coloca a cabeça pra fora com aquele jeitinho de quem precisa de informação. Eu olhei para todos os lados, procurando uma outra pessoa com quem ele pudesse estar querendo falar, mas não vi ninguém. Era para mim mesma que o pobre coitado iria pedir a informação.
Motorista: “Como que eu chego no Belvedere?” Daí eu pensei “eu não lembro muito bem, mas homem já demora muito a pedir informação, se quando pede eu digo que não sei, ele nunca mais vai pedir na vida”. Eu: “Ahmm... Você vai reto por essa rua aqui até o final, vira à esquerda e segue até a ponte de cimento. Atravessa a ponte, vira à esquerda, depois à direita no posto de gasolina. Então vai reto que chega lá.”
Então, voltei eu para a minha caminhada, tentando afirmar pra mim mesma que dei sorte e mandei o cara para o lugar certo, mesmo com alguma coisa me dizendo que talvez fosse melhor sugerir que ele andasse um pouco mais e perguntasse a outra pessoa. Até que, inesperadamente, parou outro carro ao meu lado e, dessa vez, além de um motorista confuso, tinha também uma mulher muitíssimo irritada, que quase berrava com o pobre coitado dizendo que ele tinha pego o caminho errado.
Motorista: “Por favor, como eu faço pra chegar em Conservatória?” Eu pensei “Deuses! Ele podia ter me perguntado onde é o Tênis, ou o Central, mas precisava mesmo perguntar por outra cidade?” Eu: “Olha... Segue reto até a terceira rua à esquerda e vira...” Motorista: “Não posso virar naquela ali?” Eu, olhando para a estupenda placa de contramão na esquina: “Não, porque ali é contramão e a próxima também, então o senhor vira na terceira. Depois vira à direita, segue até o final da rua, depois vira à esquerda e segue até a ponte de cimento. Mas eu sugiro que você se informe melhor sobre o caminho quando chegar perto da ponte, porque complica um pouco.” Motorista: “Obrigado” Mulher chata ao lado dele: “Ele não devia ter virado ali, não é?” Eu: “Não... Acho que tudo bem...” Motorista: “Muito obrigado!”
Eles seguiram o caminho deles, eu segui o meu, dessa vez um pouco mais confiante de que tinha feito a coisa certa, afinal eu sugeri que ele pedisse uma melhor informação.
Cheguei na casa do Jeff toda animada e contei para ele a minha aventura com dois motoristas me pedindo informação na mesma noite e ele começou a rir: “Carla, você jogou os dois no rio”. Bem... Foi uma tentativa válida. Mas a partir de hoje, acho que nunca mais dou uma informação! XD
Alguém mais está feliz com o tempo deliciosamente frio? *_* ~~Bjs! Bjs!
Escrito por Hydra às 00h41
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